Nos dias de hoje, mentalizar gentileza é uma das coisas mais incomuns do mundo, em muitos lugares, e para muitas pessoas, até mesmo em nossas famílias. Praticar gentileza, então, é algo que sempre fica bem preso à teoria, ao contemplar, ao aconselhar, pregar, achar certo, porque acionar qualquer atributo daquilo que se entende como ser gentil, de fato, é algo em extinção.
Eu amo minha cidade e tudo mais, minha cultura, mas, no que diz respeito à educação, quando comparo aqui e lá, percebo que estamos mais perto de atitudes animais do que efetivamente humanas. Nos falta humanidade para muita coisa. Tô fazendo todo esse protesto porque realmente me excedi de surpresa com as gentilezas das quais tenho sido alvo por aqui. No meu primeiro final de semana aqui, a mãe da família fez um jantar com peixe, vegetais, um pão bem gostoso e, mesmo eu não tendo pago pelo pacote de jantar, ela me convidou e, obviamente, eu aceitei. No dia de hoje, 26 de janeiro, mas mais cedo, estava andando pela rua com uma sacola de compras de mercado bem cheia de itens de higiene pessoal, como pasta de dente, sabonete, coisas que já estão quase acabando em minha bagagem de salvador, quando, repentinamente, a sacola furou e tudo foi ao chão. Tipo uma cena de filme de comédia. Bem, confesso que esperava risos, deboches, ou qualquer atitude do gênero. Mas, simplesmente, uma família ( mãe e filho ) que estavam na rua e passavam por mim pararam, me ajudaram a recolher tudo do chão e, num ato que propagou gentileza por todos os cantos, me deram uma sacola nova. Pois é.
Agora eu estou no ônibus, escrevendo em meu Notebook, e sem medo algum de ser vítima de um assalto. É mais fácil que ocorra um atentado do que um assalto, por sinal. Na verdade, sabe, eu entrei foi num onibus desconhecido, com destino desconhecido, hoje eu to sem mapa das rotas de ônibus, mas recebi gentileza de uma mulher que estava no ponto de onibôs e que perdeu dois onibus que serviam para o destino dela porque não queria deixar de me explicar em detalhes como chergar em casa, mesmo eu insistindo para ela parar. Quando entrei no ônibus indicado por ela, expliquei a situação para o motorista, ele confirmou o destino e me disse que me avisaria quando estivesse perto de casa.
Ah, o pai da família me emprestou um sobretudo dele para eu usar durante todo o intercâmbio, também gentileza. Ele disse que eu venho de um lugar que tem mais praia do que gente, e mais do sol do que qualquer outra coisa, e que por isso eu preciso de agasalhos bem revestidos, bem quentinhos.
Prometo, eu vou voltar mais gentil para o Brasil.
Beijos !
P.S. Foto tirada do Piccadilly Circus, região agitadíssima de Londres, com muitos Pubs, lojas, tudo com muita vida. É por aqui que eu passo todos os dias, pois é a localização de minhas escola.
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