quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Atos de gentileza.




Nos dias de hoje, mentalizar gentileza é uma das coisas mais incomuns do mundo, em muitos lugares, e para muitas pessoas, até mesmo em nossas famílias. Praticar gentileza, então, é algo que sempre fica bem preso à teoria, ao contemplar, ao aconselhar, pregar, achar certo, porque acionar qualquer atributo daquilo que se entende como ser gentil, de fato, é algo em extinção.

Eu amo minha cidade e tudo mais, minha cultura, mas, no que diz respeito à educação, quando comparo aqui e lá, percebo que estamos mais perto de atitudes animais do que efetivamente humanas. Nos falta humanidade para muita coisa. Tô fazendo todo esse protesto porque realmente me excedi de surpresa com as gentilezas das quais tenho sido alvo por aqui. No meu primeiro final de semana aqui, a mãe da família fez um jantar com peixe, vegetais, um pão bem gostoso e, mesmo eu não tendo pago pelo pacote de jantar, ela me convidou e, obviamente, eu aceitei. No dia de hoje, 26 de janeiro, mas mais cedo, estava andando pela rua com uma sacola de compras de mercado bem cheia de itens de higiene pessoal, como pasta de dente, sabonete, coisas que já estão quase acabando em minha bagagem de salvador, quando, repentinamente, a sacola furou e tudo foi ao chão. Tipo uma cena de filme de comédia. Bem, confesso que esperava risos, deboches, ou qualquer atitude do gênero. Mas, simplesmente, uma família ( mãe e filho ) que estavam na rua e passavam por mim pararam, me ajudaram a recolher tudo do chão e, num ato que propagou gentileza por todos os cantos, me deram uma sacola nova. Pois é.

Agora eu estou no ônibus, escrevendo em meu Notebook, e sem medo algum de ser vítima de um assalto. É mais fácil que ocorra um atentado do que um assalto, por sinal. Na verdade, sabe, eu entrei foi num onibus desconhecido, com destino desconhecido, hoje eu to sem mapa das rotas de ônibus, mas recebi gentileza de uma mulher que estava no ponto de onibôs e que perdeu dois onibus que serviam para o destino dela porque não queria deixar de me explicar em detalhes como chergar em casa, mesmo eu insistindo para ela parar. Quando entrei no ônibus indicado por ela, expliquei a situação para o motorista, ele confirmou o destino e me disse que me avisaria quando estivesse perto de casa.

Ah, o pai da família me emprestou um sobretudo dele para eu usar durante todo o intercâmbio, também gentileza. Ele disse que eu venho de um lugar que tem mais praia do que gente, e mais do sol do que qualquer outra coisa, e que por isso eu preciso de agasalhos bem revestidos, bem quentinhos.


Prometo, eu vou voltar mais gentil para o Brasil.

Beijos !

P.S. Foto tirada do Piccadilly Circus, região agitadíssima de Londres, com muitos Pubs, lojas, tudo com muita vida. É por aqui que eu passo todos os dias, pois é a localização de minhas escola.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Comprar.



Quero começar essa postagem afirmando que a foto ao lado é de uma rua comercial maior que o mundo chamada Oxford Street, na qual estive por mais de 10 horas das minhas primeiras 72 horas em Londres. Acreditem, até tentei, mas não consegui me perder nela, muito embora seja fácil, já que todos os prédios são velhos, parecidos, e minha mente odeia gravar nomes de ruas, sem contar que eu sou beeeeeeeeeeeeeeem antenado ( Risos). Bem, mas vamos ao que nos importa.

Querer comprar qualquer coisa por aqui é mais comum que respirar. Você se encanta fácil, fácil com as lojas, porque encontramos todos os tipos delas, de sapatos a chinelos. Até aí tudo tudo ok, isso você também encontra na avenida 7 de Salvador. Mas, quanto qualidade ? Fica onde ? Rapaz, foi um entra e sai da porra em lojas de grife, de perfumes, de brinquedos, de sapatos, de tudo o que você imaginar. Era preciso pesquisar o preço de absolutamente tudo para, depois e talvez, comprar o que valesse a pena. Até essa parte do texto, as informações são bem comuns, muitas lojas, muitas grifes, prédios velhos... cri.. cri.. cri... . A questão é que o gatão aqui não chegou num dia comum de primevera, com árvores floridas e blá, blá, blá. Cheguei exatamente na segunda quinzena de Janeiro e, para aqueles que ainda não sabem, esse é um período de promoção na Europa inteirinha. Porque o natal acabou mas os produtos de natal não, então o preço de tudo desmorona, vai ao chão.

E por falar nele, em preço, custo, nosso amigo mais próximos em compras, só encontro aqueles bem cabisbaxos, tristonhos, bem Down, bem Low. Meu professor do curso disse que o Reino Unido, do qual a Inglaterra faz parte, vem passando por uma recessão ecônomica. Então já viu, né ? Uma coisa se soma a outra e, pimba ! ( uhhhhLLL lá lá, como diz minha vó ), vamos às compras. Que meu pai não leia isso, senhor, por favor e obrigado. ( Gargalhadas ). Mas, é sério, por todos esse motivos, tudo custa metade do preço aqui, e às vezes menos até, mesmo com o câmbio sendo de 3 Reais = 1 Libra. É válido aproveitar a oportunidade e antecipar algumas compras que são de praxe durante o ano, como algumas ropinhas novas, perfumes, e tudo mais, quando é possível, obviamente. Meu notebook custa metade do preço aqui, os perfumes, em geral, também, as roupas de grife, nossa, pasmem com isso que vou afirmar... Passei por uma loja da Calvein, e vi uma camisa daquelas um tanto sociais, de manga curta, preta, por 12 libras.. Na frente da loja tinha escrito: Reduções finais. Hesitei, mas comprei. No Brasil não custa menos que 200 reias, tenho certeza !

Se você vier aqui para estudar, como eu, e em Janeiro também, e bem na segunda quinzena, se prepara painho. De duas, uma: Ou você engole sua ânsia por compras todinha e vai se acostumando a viver com ela até o fiim do intercâmbio, ou você gasta mais do que pode, ouve de seu Pai mais do que aguenta, e ganha de brinde um vale-castigo: Nunca mais viajará, ainda que seja de um vilarejo a outro, kkkkkk. E não vao ter Luiza e nem Canadá certo ( quem não souber do jargão, favor se informar).

E Boa Tarde ( Gargalhadas ).

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Comida, transporte, gente e cultura.



Quando viajamos para algum lugar, mesmo que seja de um vilarejo a outro, ha sempre uma interacao entre o seu e o do outro, o aqui e o la, o meu e o dele, enfim, o estrangeiro e o residente. Nesse contato, que nem sempre pode ser positivo, ha sempre uma aprendizagem rica que compra casa propria na memoria. Sair de meu lugar quente e despojado do nordeste do Brasil para explorar o oposto disso, o frio, o formal, tem me somado muito. De fato, a cultura aqui esta me vestindo de novos significados, de tal modo que em cada retalho ha olhos arregalados, maos ansiosas por entendimento e sorisos, muitos sorrisos.


Quem vem a Londres crendo que vai ser impactante a diferenca pode acabar impactado por nao ter tido impacto algum. O londrino nao e branco, de olhos azuis, com sotaque do ingles britanico, e bem formal. Erradissimo. Assim como no Brasil, aqui em Londres nao existe um modelo de gente que represente todos. O que expressa Londres, em qualquer grau e para qualquer coisa, e a mistura. Voce entra num onibus e senta ao lado de uma mulcumana, sai de um metro escutando o mp3 alto de um indiano, faz compras em lojas de coreanos e faz amizades com africanos na escola. O Europeu pode ser branco, alto, loiro e de olho azul, mas o londrino nao. Este pode ser qualquer um. Uma outra ideia que foi descnonstruida tem a ver com a comida. Londres e uma cidade multi, mas muito multicultural, entao, para atender a populacao, e preciso que o mercado tenha de sushi a feijao, passando pelas comidas italianas, francesas e tudo mais. Isso e obvio. Por isso eu tenho comido tudo sem ptoblema algum. Hoje, por exemplo, almocei em um restaurante brasileiro, jantei espagueti com carne moida, e, anteontem, jantei estrogonofe com arroz.


Aqui na cidade o transporte e tao bem organizado, as linhas de metros sao tao bem projetadas e funcionam tao bem, que tudo isso se torna motivo de orgulho, bastante orgulho. Por isso e comum ver guarda-chuvas, chinelos, lembrancinhas, camisas, tudo isso e muito mais com apenas o mapa, apenas o mapa dos tuneis do metro. E ainda com frases que a vozinha robotizada repete toda hora: " Mind the Gap", " The next station is .. ". Se voce for andar de metro aqui, por favor, seja educado. Fique do lado esquerdo das escadas rolantes sempre, pois os que tem tempo escasso precisam cumprir sua agenda, e nada mais sensato do que deixar uma vao livre para os atrasados. Se quiser entrar no metro, sempre, sempre espere todos sairem, porque so comecam a entrar quando todos que querem sair efetivamente saem, e, acreditem, niguem te empurra e nem te ultrapassa na fila, apenas sinaliza que ja e possivel avancar e entrar no metro. Os metros, todos eles, nao demoram mais de dois minutos de um para outro, e os tuneis sao bem logicamente cruzados, pois todos os 8 milhoes de habitantes precisam se deslocar com eficiencia.


De tudo, o que mais me intrigou foi o nivel de cultura. O pessoal aqui le muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito. Ate quando o metro esta cheio, as pessoas vao em pe, apertadinhas, bem no cantinho, mas lendo. Sempre lendo. Jornal, revista, livros, tudo o que voce imaginar. Na Rua, os jornais sao distribuidos gratuitamento, e ninguem sai pegando todos os jorneis, quando so e preciso um. E tambem ninguem pixa as ruas. E invrivel, todas as placas das avenidas aqui sao padronizadas, e toda nao sao pixadas. E nem os metros, e nem as estacoes de metros, e nem os muros. Educacao move o mundo, meu povo !

Beijo na alma !

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Prazer, Londres. Meu nome e Laercio.






'' Good morning, man ! Wake Up ! It`s time to go to school ! ''

A voz alta e robusta do pai da familia me levou aos primeiros minutos do dia. Estava tao cansado que o despertador deve ter tocado, mas eu nao acordei, o que me custou levantar da cama um tanto mais tarde, com o chamado do pai da familia, e consequentemente fazer tudo com pressa para nao chegar atrasado. Comi em pouquissimos minutos, toast com nutella, muito gostoso ! Tomei um cafe, troquei de roupa, tudo bem rapidinho. Recebi a chave da casa e, pronto, saimos eu e o pai da familia para a rua. E o dia comecou a comecar, com o primeiro susto: era possivel enxergar minha respiracao no ar frio, tipo a fumaca de um fumante, rs.


O pai da familia se chama Gordon. Bem, Gordon me mostrou o numero de meu onibus, 38. Muito diferente de Salvador, os onibus por aqui sao altos, de dois andares, vermelhos, vazios, com cameras de seguranca e bem confortaveis. No ponto de onibus, tem um painel digital que indica os onibus que estao por vir e os respectivos horarios. E custa 2 e 30 do dinheiro daqui, a Libra. E aqui percebemos como pagamos EXTREMAMENTE caro por um transporte mediocre e ineficiente no Brasil. Mas, bem, deixando isso de lado, entramos no onibus que me deixou na escola em quarenta minutos. Fomos conversando, ele falando rapido um ingles britanico, e eu com os ouvidos fixos na pronuncia. Era possivel entender as ideias que ele me trazia, mas nao cada cantinho, detalhe, das frases. Gordon me desejou um bom dia e a Malvern House abriu as portas para mim. Entrei na escola.


Cheguei um pouco atrasado, fiquei desorientado no inicio, mas logo me ajustei e encontrei minha sala. Tinha muita gente na escola, era preciso fazer cadastro, a aula ja tinha comecado, e mais e mais burocracias da querida escola daqui, rs. Durante a aula, e possivel entender tudo que o professor diz. Fora da aula, prefiro fazer amizades com coreanos ou colombianos, ja que o resto das pessoas sao todas brasileiras. Teve um carinha do espirito santo que merecia uma cuspida minha na cara toda. Se apresentou dizendo que odeia a Bahia e tudo mais, nem gosto de lembrar. Ainda bem que nao e da minha turma, pois minhas respostas para ele iam ser cortantes, diretas e, para serem integralmente entendidas, em portuguues, de preferencia.

A aula foi dinamica, mas o livro ainda nao comecou a ser explorado. Tivemos uma introducao geral sobre tudo, fomos a rua, e amanha, dia 16, iremos ter uma aula de campo em Soho, um lugar famoso por aqui. Eles nao almocam por aqui, so lancham. E a noite que comem de verdade. Tentei seguir o ritmo e, apos a escola, lanchei e deixei o resto da fome para o jantar. Comprei no mercado um pacotinho de comida, estrogonofe e arroz, bem baratinho. 5 minutos no microondas e fica pronto. Comi, conversei com a familia, contei como foi meu dia e tudo mais, falei com o paizao que esta na Bahia, escrevi o texto e, pinba, deu vontade de dormir. Fui.

Abraco forte!

P.S. TODAS AS IMAGENS ESTAO SAO RELACIONADAS AO TEXTO. USEM A MENTE E DESCUBRAM O QUE E CADA COISA.. MEU CAMINHO DE CASA, A ENTRADA DA ESCOLA.. O ONIBUS, QUE E BEM DFIFICIL DE RECONHECER, RS.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Esperei, cheguei e encontrei frio.





Aqui e quase duas da manha e o despertador que ficou no celular, com o horario do Brasil, me acorda bem antes do horario correto. Fico indisposto para o sono. Decido mandar noticias mais detalhadas pelo Blog.

24 horas e 30 minutos. Eu contei, acreditem. Esse foi o tempo gasto para sair de minha casa de Salvador e chegar ate a casa da familia que estou, aqui em Londres. Voo de salvador a sao paulo, muitas horas em conexao em sp, mais o voo ate londres, mais um translado bem logo do aeroporto heathrow ate a casa da familia, que, ao meu ver, foi quase um tour pela cidade inteira. Nem cansa, nao e mesmo ? ( Risos ).

Acima tem uma foto minha no aviao bem grandao do voo internacional que fiz. Tinha acabodo de acordar nesse momento, acordar do sonho de tentar dormir, rs. Gente, mesmo tendo tomado o velho dramirr da Tia Ni, foi impossivel dormir de verdade. Tava bem apertado. De um lado tinha uma senhora japonesa que so fazia dormir e que me deixava a opcao de acorda-la toda vez que precisava sair de minha poltrona. Do outro lado, tinha uma garota loira, bonita, e gelidamente inexpressiva. Bem, foram dez horas de aventura, rs. Assiti filme, ouvi musica, comi bastante. Um voo internacional, de fato, lhe disponibiliza instrumentos para gastar seu tempo de viagem.

A outra foto foi tirada assim que entrei no carro que me deixou na casa em que estou. O motorista dirige do lado direito do carro, onde fica o volante, e anda pelo lado esquerdo da pista. Tinha que comentar, pois e muito diferente do Brasil. Logo quando sai do aerporto, quando ja nao tinha mais aquecedor, vesti as luvas, porque nao era o bafo quente de salvador que me esperava, mas um tipo de ar bem frio que me deu a sensacao de estar dentro de um refrigerador, rs. A paisagem daqui e antiga, mas bonita, bem conservada. O antigo e o novo se misturam de modo bem interessante. Um predio velho abriga um macdonald`s, por exemplo. Ruas limpas, transito organizado, e muitos, mas muitos carros antigos. Percebo que o pessoal daqui tem habilidade em conservar as coisas, deixando-as novas, mesmo sendo cronologicamente velhas.

A ultima foto e a do meu quarto, que adorei, por sinal. Me disponibilizaram um notebook que na foto esta em cima da cama. Sobre a familia, muito contrario do que pinta na mente de todos, eles sao bem recepitivos, alegres, mas nos cumprimentam com um singelo aperto de mao, ou acenando. Me receberam com um jantar com frango assado, vegetais, toast ( tipo um pao em fatias ), com salada de frutas no final. Tudo bem saboroso. Mas beberam somente agua durante a refeicao. A casa tem tres andares, sem contar o porao, onde fica o escritorio de arquitetura da familia. Eles trabalham em casa mesmo. Que folga, rs. Meu quarto fica no ultimo andar, proximo ao banheiro que tem uma banheira! Tem uma garota russa aqui na casa, em outro quarto. Tem uma idade parecida com a minha, uns 20, acredito. Fala ingles muito bem e e bem amigavel.

Amanhao terei meu primeiro dia de aula na escola e a primeira aventura. A familia vai me deixar no onibus correto para, com o tempo, eu aprender a andar sozinho de metro, pois e mais complexo, ja que precisa trocar de estacao e tudo mais.

Escrevo mais quando tiver tido um contato mais estreito com a cidade, ja que cheguei a noite e num estado de dormindo ou quase desmaiado.

Abraco forte.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Oushe, é amanhã ?


"Olha, Laércio, aproveita muito sua viagem, viu ?" " Voce vai pra Londres ? Que chique" " Que horas voce viaja ?" "Nao esquece de ver a Adele" "Tira uma foto no Big Bang quando for meio dia!"

Me desejam, todos, tudo de tão bom, me preenchem de tanta positividade, que percebo que realmente tenho muitos amigos. Respondo a tudo e a todos de modo bem pacato, só como quem aguarda. Parece que para isso eu sou espera, e não ânsia. Estranho, minha ansiedade está domada ?

Bem, o que sei é que acumulei as surpresas para me chegarem todas no impacto do primeiro contato. É amanha, e nem me dei conta disso. Sorrio graciosamente. Vou dormir para acordar em um Lugar de muito frio e muita formalidade.

Here we go !